8 de jun. de 2011
atenção
não me sinto bem
É tão difícil saber o que é certo. Entender o caminho.
São 23h58. Tenho 28 anos. Não tenho um salário. Nenhum talento expressivo. Uma vontade se extinguindo. Situações forçadas. Pessoas suportadas. Família ignorada.
A felicidade parecia mais real quando a imaginava há 5 anos. Não sei se ela já existiu ou se foi encenação. Uma grande ilusão. Expectativa mesmo.
Something good can work começou a tocar. Será? Quero muito. Já me disseram isso várias vezes com uma certeza assustadora e animadora.
Já são 0h03.
Adoro textos desconexos como este. Um simples vômito de ideias muito íntimas. Anos que não vomito por aqui. Preciso exercitar mais esta anorexia de pensamentos porque sempre achei que se guardasse tudo pra mim algo de ruim aconteceria. Primeiro ao meu corpo, depois ao resto.
Um sinal. Só um? Por favor.
15 de set. de 2010
chega de palhaçada ne minha gente?!
Estou cansado. Cansado de me desculpar por estar mau humorado. Cansado de ser o grosso, o sem-paciência. Cansado de ter que ouvir ladainha no meu ouvido e não poder me irritar com os absurdos que me jogam gratuitamente.
Cansei de ouvir amiga com 30 anos nas costas se justificar como uma pecadora porque deu ou não deu para determinado cara da balada por isso e por aquilo. Não sou psicólogo e muito menos pai desse povo para ter que puxar orelha de todo mundo. Passou da hora de assumirmos uma postura e pronto. Sem defesa, sem justificativa, sem culpa. Quer dar, vai dar. Não quer, fica em casa e lide bem com suas decisões. Ninguém precisa achar que você é uma santa arrependida ou um puta modernete. Seja santa ou seja puta dentro dos seus conceitos e viva bem assim. Sustente sua verdadeira imagem ao invés de vender aquela que você acha que os outros vão achar mais bonitinha e aceitável.
Cansei de ser obrigado a curtir o amigo que curte a euforia de um pós-término de namoro e precisa divulgar essa suposta felicidade para os quatro ventos, rezando para que um desses ventos leve as notícias direto aos ouvidos do ex. Felicidade não é algo que se mostre, e sim algo que todo mundo, uma hora ou outra, acaba percebendo. As mudanças são verdadeiras quando acontecem dentro da gente, e não fora, ao alcance de uma rede social. Vamos viver minha gente, vamos nos preocupar em mover a vida para algum lugar mais interessante do que onde, hipoteticamente, vive o pensamento do outro.
Cansei de ter que me submeter ao ritmo de meus pais que não conseguem entender que, por não morar mais na mesma casa que eles, o meu ritmo mudou. Cansei de ter que me adaptar só por ser mais novo e supostamente dever respeito aos mais velhos. Porque eles não podem se esforçar e entender que minha energia é diferente e não preciso devolver o amor que eles dão no mesmo nível? Todo mundo se adapta nessa vida. Oferecer amor não é ficar esperando a conta bancária alheia contabilizar na sua conta a compensação do gasto anterior. Se for assim, vai poupar que rende mais.
Quero ser mau humorado sim, sem culpa. O mau humor não nasce por geração espontânea, alguém já parou para pensar nisso? Ele pode muito bem ter a faísca produzida pelo outro. Custa olhar pra dentro e perceber isso? Custa olhar no espelho e perceber o papel ridículo que todos nós, um dia, passamos a interpretar?
Chega de máscaras. Chega de querer parecer feliz ou ser “aquele que aproveita ao máximo a vida e todo mundo precisa estar ciente disso porque é assim que os vencedores são”. Vamos viver nossas vidas com mais honestidade, mais objetividade, mais clareza. Se eu quero passar o sábado num maldito sofá ou pulando de bungee jump na Mongólia, que eu faça isso para suprir um desejo interno de felicidade, sem testemunhas para provar, justificar ou levar adiante essa informação.
Vamos viver para nós mesmos, individualmente. E compartilhar a honestidade de nossas decisões. Tem coisa mais ridícula no mundo do que recadinho para sujeito indeterminado no MSN? Tem coisa mais ridícula do que dar bom dia ao sol e céu azul no twitter para parecer que está feliz e super bem resolvido depois de um termino difícil de namoro. Chega gente. Tome tento! Leia alguma coisa interessante e passe pra frente. Isso é relevante. Se quiser chorar as mágoas, chame um amigo. Chore. Depois beba alguma coisa e converse sobre amenidades ou profundidades sem querer parecer isso ou aquilo. Sofrer todo mundo sofre na vida. Amigos estão aí para ouvir, os psicólogos mais ainda. Mas tudo tem limite nessa vida. Você não será inesquecível na vida dos outros se parecer que sofreu muito e agora aprendeu a dar valor ao que é inestimável. Para de querer provar ao mundo que você é merecedor de uma glória social. Manda essa culpa católica à merda.
Vai ser feliz minha gente. E deixa o mundo sentir isso, sem você precisar mostrar.
20 de jan. de 2010
7 de dez. de 2009
frio cala
3 de out. de 2009
diluir
O céu lá fora interpreta meu momento: queimo por dentro um fogo ansioso e, ao mesmo tempo, anseio desabar águas salgadas de desespero.
Um mar morto impregna minha alma e turva meus desejos. Sem espaço, sem saída, eu paro. Penso. Com lágrimas, deixo o mar cada dia mais salgado.
Quero um lugar para escoar. Alguém para me diluir.
15 de mai. de 2009
eu imperfeitamente sou assim
Sempre fui uma pessoa que buscou, acima de tudo, a minha própria perfeição. Então, é fácil perceber o quanto já sofri, me puni e me decepcionei. E quarta-feira foi mais um daqueles dias em que criticas corroeram minha falsa percepção de comportamento em que eu teimava em acreditar. Mas o bom dessa vez foi que eu me calei e parei para pensar nisso.
Nunca ninguém me cobrou perfeição. Então por que ajo assim?
Meus pais nunca exigiram (não declaradamente) que eu fosse o melhor aluno, melhor filho, melhor tudo. E sempre tive um complexo de nerd atrapalhando meus deslizes.
Fui aprendendo com a vida a relaxar, a perdoar e a pedir perdão. Longe de ter aprendido na medida essencial. Mas sempre me faltou a bendita paciência.
Sempre achei que, em se tratando de relacionamentos, eu era “O” maduro, bem resolvido, inteligente e prático. Mas descobri que não. E assumir isso é muito difícil pra mim.
Eu aguentei muita coisa, sem deixar a raiva e discussões emergirem por achar discussões coisa de espíritos nada evoluídos. E o que eu realmente queria evitar era reprisar as brigas dos meus pais que participei quando criança e aqueles longos processos de potencial separação (que nunca ocorreu). Então o que eu fazia: aguentava, dava pequenos toques, e quando eu perdia a paciência, tchau-até-nunca-mais. Fui informado que relacionamentos de verdade têm brigas homéricas sim, discussões ferrenhas sim! Nada sem motivo ou que partisse pra agressão. Nada disso. Estou falando de ser verdadeiro com as emoções. Deixar as minhas fluírem e aceitar as do outro de peito aberto. Ninguém consegue se encaixar perfeitamente naquilo que eu imagino como parceiro-modelo.
Claro que se a pessoa não lhe dá atenção ou se o amor acabou ou nunca existiu, ficar batendo na mesma tecla é burrice. Larga mão disso e vá caminhar sozinho.
Daí encontro alguém que também tem defeitos. Que me estressa. Mas que me fez encontrar uma coisa muito importante: a tal paciência. Talvez porque agora eu finalmente consegui sentir que vale a pena. Ou talvez porque estou amadurecendo e enxergando de outra forma. Não sei. Só sei que quero deixar meu orgulho tolo de lado e aprender a viver a dois. O que falta pra mim (e talvez para muita gente) é a coragem de enfrentar o amor real. Eu fugia se visse que o amor não era o que eu imaginei. Só que agora não tenho vontade de fugir mais.
Porque agora é o que eu imaginei sem ser o que imaginei, se é que me entendem. Imaginei sentir isso que sinto hoje sem o contexto que vivo hoje. Até o momento presente eu não briguei feio. E a partir de agora, se pintar a vontade, não quero reprimir. E espero que a pessoa consiga entender isso não como meu ultimo suspiro, mas como uma emoção verdadeira que precisa evoluir junto. E quero que você esteja comigo nisso, porque escolhi você não foi à toa.
Agora, em se tratando de amizades, costumo fazer bem parecido. Com a única diferença que a paciência costuma dar as caras mais vezes nesse quesito. Já perdoei, já pedi desculpas e segui em frente. Felizmente, minha intuição não costuma falhar. Daí ela pede licença para a paciência, ou melhor, ela dá as mãos para a paciência e aguarda. Quebrou valores, invadiu limites intransponíveis ou agiu contra o meu bem-estar, aí sim ela, a intuição, dá um pé na bunda da paciência, agarra as mãos da proteção e segue em frente limpando o caminho.
Obviamente que posso errar também. Mas uma coisa inviolável em amizade é o respeito.
Fui menos criticado na noite de quarta-feira sobre amizades. A razão foi reconhecida. E em se tratando de relações humanas, a única coisa que preciso desenvolver é meu critério de cuidado comigo mesmo. Não importa o discurso da pessoa, se não estiver de acordo com o que eu estou sentindo, um tempo é mais que essencial. Nada de provar pontos de vistas porque não adianta pra mim. Sou muito sensível para acreditar em palavras sendo que o que sinto são energias. Preciso respeitar o meu tempo, preciso de tempo sem justificativas, sem cobranças ou julgamentos até mesmo da minha parte. Uma pausa. Simples assim. Os sentimentos são muito mais verdadeiros nessas horas. E se os sentimentos do outro forem verdadeiros também, uma hora se acertam nas suas verdades. Explicação demais é só uma forma de tentar fazer você acreditar nas suas próprias crenças. O que pode até ser a explicação para essas minhas palavras. Quero me convencer disso tudo? Quero sim. Porque essa é a primeira vez que converso comigo mesmo expondo de verdade meus pontos fracos. Mostrando uma imagem de mim mesmo que eu não queria enxergar. A imagem de alguém que precisa entender que se relacionar é se adaptar em conjunto e não ficar forçando alguém a se encaixar na minha fôrma.
Amor perfeito é aquele que se mostra imperfeito a todo tempo sem fazer você querer mudar nada nele. E amizade perfeita é aquela que se tem respeito tendo em vista todas as imperfeições, apenas isso.
9 de abr. de 2009
meu
Do lugar onde quem convida a estar
Sou eu
Sonho (m)eu
Vontade não falta
O que falta é poder
aquisitivo mesmo.
15 de dez. de 2008
16 de nov. de 2008
em construção
sem espelho para o coração
porte de arma
27 de out. de 2008
sem troco
8 de set. de 2008
não verão
17 de ago. de 2008
um mar
Tem muito mar para conhecer, diz ela.
Não sabe ela que só tem um mar que eu quero.
Um pedaço de uma palavra que quero viver.
12 de ago. de 2008
14 de jul. de 2008
branco
Pai médico e poeta, mãe professora de português, russo e alemão. Irmãos e irmãs médicos, advogados e poetas. Eu ali no meio, nascido e esquecido entre os três mais velhos e os três mais novos, no meio das letras pomposas de suas proficiências tolas. É difícil crescer esmagado pela vanguarda dos primeiros e pelo saudosismo fértil dos últimos.
Mas o potencial autor vai. Senta-se à mesa, conversa consigo e faz toda a encenação dramática. Xícara de café meio quente meio frio, cigarro no cinzeiro – apagado porque não fumo –, mãos pelos cabelos e expressão de tudo-está-prestes-a-sair-da-mente.
Devia ter lido mais, dizem as mais ágeis mentes. Se em pensamento a primeira pessoa mistura-se à terceira, serei eu a escrever algo que não sobre mim já é?
Escritores têm gatos. Fazem parte da encenação. Mas e a alergia? Esqueça. Mãos à velha Remington, a de teclas e não balas – cenografia digna de prêmio. Ela nem funciona mais, não troco meu velho Pentium por peça de museu qualquer. Tudo encenação. Inspire-se. Sobre quem? O que? Quando e onde? Nada.
Ao olhar para a tela em branco, o escritor se deu conta de que não tinha mais nada a dizer. Eu já disse tudo que ele poderia querer dizer um dia.
Deve ser o tal do ócio criativo. Alguém já escreveu sobre isso e não li.
Vai ver minha falta de proficiência tola é culpa da árvore que ainda não plantei.
É muito difícil estar no meio disso, de todos eles seis.
Um romance trágico familiar. É disso que um autor precisa.
13 de jul. de 2008
chama
depende se você, só, o acende ou se, juntos, começam uma fogueira.
